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A vida imita a… internet. No século 21, a célebre frase de Oscar Wilde pode ter sido atualizada e, no ano que um vírus nos tirou a todos do ar, a final da Champions vai trazer o confronto dos dois maiores ícones do Tiktok, a rede social destes tempos quarentênicos. Nesta plataforma movida a escapismo, memes e dancinhas, o mundo tenta encontrar respiro em meio à polarização ideológica. Neymar e Lewandowsky se destacaram pela regularidade nesta temporada, mas também pela forma de engajar novas audiências do futebol e mostrando que tanto um brasileiro quanto um polonês podem encontrar suas gingas pessoais e conectarem estilos, comportamentos e torcedores. Jogadores nas redes sociais vale grana.

O confronto do próximo domingo em Lisboa vai nos expôr não só a grandes talentos – e provavelmente um grande jogo -, mas também a uma cada vez mais sólida narrativa individualizante do espetáculo. Os “fandoms”, grupos que dividem a mesma paixão por um tema/personalidade e criam hábitos culturais em comum em torno deste interesse – são um fenômeno que começou em torno dos games e dos personagens de animações, já chegou ao futebol, muito em torno dos atletas. Enquanto os clubes tentam descobrir como administrar a comunicação dos seus ativos principais – os jogos e campeonatos – em streaming e afins, os atletas pegam pra si tudo a respeito de paixão, entretenimento, life style e conteúdos além dos jogos. Este é um território semiótico visto como menor no contexto dos negócios e da comunicação do futebol. E os resultados desse erro são visíveis.

Se compararmos o desempenho dos dois finalistas da Champions League – times cujas marcas integram o panteão do primeiro escalão mundial do futebol – com o dos seus principais jogadores no Tiktok, temos uma noção de porque os clubes têm perdido protagonismo junto às novas gerações de fãs para seus atletas. Enquanto Neymar tem 7 milhões de seguidores, o PSG tem 2,1 mi. Lewandowski vai ainda melhor, tem 11,5 mi, contra 2,6mi do Bayern de Munique. As recentes migrações de fãs com as mudanças de CR7 do Real Madrid para a Juventus e de LeBron James do Cleveland Cavaliers para o Los Angeles Lakers são indicativos de uma geração que acompanha esportes de maneira globalizada, menos fidelizadas às fronteiras regionais e que se movimentam em torno de ídolos, não de times.

Enquanto governantes tentam bloquear o uso da ferramenta, sobretudo os que não conseguiram se engajar com esta audiência e acabam sendo alvos desta força, o Tiktok vai avançando. O fenômeno desta plataforma chinesa mostra por onde o bonde do entretenimento está andando e o quanto o futebol ainda subestima seu lugar nessa poderosa indústria, sempre ensimesmado em suas decisões estratégicas. Domingo vai ter jogão, vai ter título e também dancinha. A questão é só saber em qual perfil.

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